Intervenção Militar no Rio de Janeiro

Sejam bem-vindas(os à democracia!
Se alguns de nós ainda tinha ilusão, a galera das periferias e das favelas sempre souberam. Sempre aprenderam da pior forma: na cara pelos tapas, no estômago pela fome, na pele pelo suór explorado no trabalho e na veia pelo sangue diariamente derramado.
Sempre entenderam, mesmo sem saber que chamamos "democracia" o que é a "ditadura do capital".
Por isso, que o nosso povo têm dificuldade de aprender na escola quando professores ensinam o valor da democracia duramente conquistada, e falam com horror da possibilidade de deixarmos acontecer novamente o que sofremos no passado, com a ditadura militar. Coisa do passado... Oi??
A galera não entende...

Como entender que têm que defender uma democracia que não garante sua vida, que extermina seus irmãos, jovens negros, em diário genocida racista? Como entender a matéria cujo tema é um período de cerceamento de direitos, de censura e violência do Estado fascista, como coisa do passado?
Tantas datas e nomes de personalidades a serem decorados para a prova, logo após sofrerem humilhantes revistas de soldados em intervenção militar. Seus tanques blindados, atravessados nas ruas pobres... impedidos de ir e vir, vivendo uma vida de miséria, injustiças e exclusão de direitos... E não é muito diferente do tratamento que sofrem por parte de policiais, cotidianamente... policiais militares...
Está difícil de entender mesmo... A polícia é militar e a democracia pode ser entendida como um Estado de liberdades?

Já tivemos experiências de ocupação do exército em favelas antes: no Complexo da Maré, Rocinha, Morro da Providência, Complexo do Alemão, Vila Cruzeiro,... ; e em áreas centrais da cidade, quando sitiada nos períodos de Megaeventos, com a participação direta dos parceiros internacionais, imperialistas. Vamos aprender com as experiências? As mães dos jovens assassinados por forças militares em plena democracia capitalista não sentem nem liberdade, nem direitos e quanto mais justiça. Operações cuidadosamente estudadas pelo Estado democrático, representativo da vontade popular, através de eleições dentro de um jogo político confiável que todo povo entende (?) O resultado dessas operações foi a contenção da violência?? Diminuição?? Guerra contra o tráfico?? Alguém viu alguma coisa melhorar??

O que podemos falar sobre a Intervenção Militar? Na verdade não podemos. Na democracia que vivemos uma vereadora de partido de esquerda, foi executada. Por falar. Mataram por ser negra lésbica favelada que fala, denuncia e luta. Uma vereadora numa democracia tem a função de representar as(os cidadãs(ãos. Denunciou ações da 41ª DEP, há décadas genocida de jovens pretos e pobres favelados. E assumiu a relatoria da comissão da Câmara de Vereadores que foi criada para acompanhar as ações operacionais das tropas que ocupam a cidade, logo após, a declaração do comandante do exército de que não queria enfrentar uma outra Comissão da Verdade. As balas que usaram para matar a vereadora Marielle Franco eram de uso exclusivo das forças armadas... Foi executada. Não mataram escondido... querem que todos saibam, mandaram recado... para não fazermos o mesmo que ela.
Para não seguirmos o exemplo de tantas outras mulheres negras exterminadas pela violência do Estado e de tantos que lutam. Antes de Marielles executadas, outras Claudias arrastadas, Marinalvals Kaiowá em suas aldeias indígenas, Fatinhas com seus filhos injustamente criminalizados e arrancados de seus colos. O Estado continua violento e age como Estado de Exceção nas áreas em que há resistência. O Estado persegue quem denuncia. Reprime quem luta, quem se manifesta. Quem cala não consente, é obrigado a calar.
Se não podemos falar, resta-nos perguntar..
Quais os verdadeiros objetivos da intervenção militar no Rio de Janeiro? Nos locais em que o exército controlou, teve índices de violência diminuídos? Acabaram ou inibiram o tráfico de armas e drogas? Em outros estados brasileiros a violência está controlada? As eleições estão por vir e as classes médias e altas vão investir seu capital em quais candidatos? Será que é preciso fazer propaganda, mais que fazer promessas fazer uma demonstração de que podem manter a democracia em ordem? Qual ordem? Será que querem manter a classe trabalhadora calada, contida nas suas periferias e favelas, reprimida e controlada sem reclamar... continuando a produzir a riqueza, não questionando nada, nada querendo mudar?
Heita.. temos mais tantas perguntas que não podem calar, algumas ideias para formular, mas lembremos que estamos numa democracia e o pouco que aqui reflito sobre intervenção militar já não podia falar. Por isso, é melhor que eu não me identifique, melhor usar um codinome*. Todo cuidado é pouco.
Informativo: Você Sabia?



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